A caminho de Sheshan

Empurrado pela necessidade e pelo destino, o Fisioterapeuta e Acupunturista João Barão, já esteve por quatro vezes nesse intrigante país que é a China. Traçando um caminho de busca pelo aperfeiçoamento profissional, o aventureiro santanense acabou por se deparar com uma cultura fascinante e algumas experiências extraordinárias. Em 2000, durante a sua primeira visita a China, João visitou os templos de Lama, Kunfu Tse e o Templo do Céu, lugares onde pôde perceber uma energia muito forte. Ainda assim, sentia que buscava alguma outra coisa. Em meados de 2001, voltou a Beijing, exatamente quando o Templo da Nuvem Branca estava sendo reaberto (o Taoísmo, assim como qualquer outro culto religioso, havia sido proibido durante a revolução cultural). Uma série de desencontros com os companheiros de viagem, fizeram com que acreditasse no poder da intuição. Já no interior do Templo, descobriu uma pedra da qual os visitantes precisam manter uma certa distância enquanto tentam alcançar o alvo. Entre todos os que estavam fazendo suas tentativas, João foi o único que conseguiu. Foi então que caiu a primeira ficha: “na vida precisamos ter fé, nos deixar levar pela intuição e nunca desacreditar”, esclarece o nosso viajante. Apesar da incrível experiência, ainda sentia falta de algo na sua jornada. Já em 2002, durante a sua passagem por Xi’an, conheceu o Exército dos Soldados de Terracota e o Pagode de Dayanta, onde sentiu mais uma vez uma incrível energia. Porém, mais uma vez, algo estava faltando. Mas foi em 2004 que as situações tomaram outros rumos. Durante a estada em Beijing, um de seus alunos (Mestre Nestor) comentou: “Barão, o que tu procuras não está mais por aqui”. Dois dias depois, durante a visita a Suzhou, avistou um Templo Taoísta, restaurado, no meio da rua de um shopping. No dia seguinte, foi a Shangai, e no momento em que deveria voltar a Beijing, outro acaso do destino acabou fazendo com que perdesse o trem. Uma cidade com um jeito bem mais ocidental, nada parecida com a preferência de João. Durante um dos passeios, uma de suas colegas avistou a montanha que ele tanto queria visitar: Sheshan. Lá chegando, um teleférico os levou ao topo. De lá, avistaram outra montanha, e seguiram em direção a ela. Logo na entrada, um belo pagode taoísta chamou a sua atenção. No meio do caminho, um templo budista, e no topo da montanha, quem diria, uma igreja católica. Essa energia fabulosa da união dos 3 cultos religiosos, fascinou João, que finalmente percebeu: “Para que ir tão longe? Mas às vezes temos que ir longe para poder encontrar o que está perto”, analisa, visualizando que não importa a religião, não importa a crença, a fé e a espiritualidade sempre serão traços essenciais e inerentes aos seres humanos. Quando aprendemos a dar um passo de cada vez, não pode haver comparação entre lugares, pessoas ou ritmos. Cada experiência é única, eterna. Tudo é maravilhosamente harmonioso. Quanta sabedoria é escrita em nossa alma, como os leves pincéis que flutuam sobre o papel de arroz e traçam perfeitos ideogramas!